domingo, agosto 20, 2017

Como a URSS ocupou a Checoslováquia (29 fotos)

49 anos atrás, a União Soviética, secundada pela Polónia, Hungria e Bulgária ocupou a Checoslováquia. Assim terminou a Primavera de Praga”, uma série de reformas democráticas, aplicadas por um governo soberano, a derradeira tentativa utópica de construir o “socialismo com a cara humana”.

Na noite de 21 de agosto o avião soviético An-24 pediu a permissão de efetuar a aterragem de emergência no aeroporto de Praga. Recebendo a permissão, em violação de normas internacionais, do aparelho saíram os pára-quedistas da 7ª Divisão soviética da guarda. Sem uso efetivo de armas, eles ocuparam o aeroporto e organizaram a recepção dos aviões soviéticos de transporte An-12, com os pára-quedistas e equipamentos militares. Era o fim trágico da “Primavera de Praga”.

A URSS usou na invasão da Checoslováquia as suas 18 divisões: motorizadas, de blindados, de pára-quedistas, cerca de 200-250 mil militares (no total na ocupação do país participaram cerca de 500.000 militares e até 5.000 blindados). A propaganda comunista e soviética apresentava a invasão militar como “ajuda ao povo irmão checoslovaco na luta contra a contra-revolução”. Na realidade, não havia nenhuma contra-revolução no paísque detinha a maior taxa dos membros do PC no mundo (em percentagem, comparando com a população geral), os comunistas locais apenas aboliram a censura, introduziram a liberdade de movimentos e de manifestações, baixaram o nível de interferências do Estado na economia, acabaram com o regime do partido único. A URSS teve medo de que, em um sistema aberto e transparente, o PC da Checoslováquia não sobreviveria (dado que a retórica demagógica dos comunistas é insustentável em um campo aberto e transparente) e decidiu invadir o país.

As autoridades da Checoslováquia decidiram não resistir às tropas soviéticas, deixando o seu exército aquartelado. Ao mesmo tempo, as tropas da URSS encontraram uma forte resistência da sociedade civil, especialmente em Praga. Nas ruas da Praga cresceram as barricadas, os tanques soviéticos avançaram na rua Vinohradská e os militares soviéticos assassinaram 17 pessoas. Em Praga, foi introduzido o recolher obrigatório, os soldados soviéticos receberam a ordem de abrir fogo contra qualquer objeto em movimento.

02. Os militares soviéticos num camião aberto nas ruas de Praga. No seu livro de memórias, “O caminho longo para casa, o escritor belaruso Vasil Bykaú conta, de forma bastante pitoresca, como as colunas das tropas soviéticas avançavam para a Checoslováquia, sempre no período noturno, através da cidade belarusa de Hrodno, onde então morava Bykaú.

03. Os blindados nas ruas de Praga. No dia 22 de agosto eles atacaram as barricadas na rua Vinohradská, onde no prédio № 12 se situava Rádio Praha.

04. Nestes dias nos murros e paredes dos prédios os moradores de Praga deixavam diversos grafiteis, em russo e checo. O seu teor principal era simples: “não temos nenhuma contra-revolução, russos, não sejam ocupantes, voltem para casa”.

05. Os estudantes checos divulgam a literatura clandestina na praça Wenceslas (Václavské náměstí) em Praga, em protesto contra a ocupação soviética.

06. Marcas de combates urbanos nas barricadas no centro de Pragaas janelas partidas, árvores e equipamentos militares soviéticos queimados.

07. À direita os restos do blindado soviético queimado.

08. Blindado soviético no centro de Praga. À direita, os restos de um meio de transporte, provavelmente autocarro/ônibus.

09. Rádio Praha que até o fim resistiu aos invasores comunistas. A estação foi atacada pelos ocupantes e defendida pelos moradores de Praga.

10. Os estudantes e jovens usando uma forma de protesto pacífico com bandeiras do seu país eles circulavam pelas ruas de Praga com os slogans contra a invasão comunista.

11. O militar checoslovaco com a rádio nas mãos é cercado pelos populares que querem saber as últimas notícias.

12. Na entrada do hotel “Jalta” é afixado um cartaz em memória do estudante Jindřich Krahulec, assassinado pelos invasores soviéticos.

13. Os estudantes estavam se dedicando à criação dos cartazes. Num dos prédios vazios de Praga eles montaram o seu estúdio improvisado.

14. Manifestante, ferido nas barricadas desenha um cartoon político ao estilo do Josef Lada.

15. O cartoon desenhado pelo maratonista checo Emil Zátopek o militar soviético é retratado por cima dos dois blindados, como se fossem os patins (na sequência da invasão, ainda em 1968 eles foi expulso do partido comunista por participar na Primavera de Praga, morreu em 22 de novembro de 2000).


16. O blindado ligeiro soviético com soldados, é cercado por uma multidão em Praga. Os soldados soviéticos eram na sua maioria perdidos, de acordo com os testemunhos de habitantes locais – ficou claro que eles não entendiam o que estava acontecendo. Os comandantes disseram-lhes que era necessário salvar o povo irmão da Checoslováquia da contra-revolução, mas aqui este mesmo povo cuspe e grita para com as tropas soviéticas.

17. Os estudantes queimam os jornais soviéticos.

18. Tanque T-55 e blindado BRDM-1 nas ruas de Praga.

19. A juventude checoslovaca em cima do blindado.

20. A ponte que não aguentou o peso do blindado (cerca de 36 toneladas), a informação alternativa afirma que a ponte foi dinamitada.

21. A coluna dos manifestantes com o slogan “URSS nunca mais”.

22. Blindado ligeiro soviético cercado pela multidão.

23. Tanque cercado.

24. Camiões militares em chamas.

25. Automóveis com os cidadãos em protesto.

26. Os moradores de Praga olham ao blindado soviético.

27. O blindado soviético ficou preso na barricada improvisada.

28. Os cidadãos que tombaram na defesa da Rádio Praha...

29. No total, em resultado da invasão comunista morreram 108 e foram feridos mais de 500 cidadãos de Checoslováquia. Cerca de 300.000 cidadãos deixaram o país rumo ao Ocidente na sequência da invasão. As reformas, iniciadas pela Primavera de Praga”, foram adiadas pelos blindados soviéticos por mais de 20 anos e foram concluídos apenas após 1989.
Fotos @GettyImages | Texto @Maxim Mirovich