sexta-feira, outubro 10, 2014

Os voluntários estrangeiros do regimento “Azov”

O regimento «Azov» difere de outras unidades voluntárias da Ucrânia pela sua aceitação dos estrangeiros. Neste momento, o regimento possui cerca de 20 legionários, a maioria provêm dos Países Nórdicos, mas também da Belarus, Canadá, Eslováquia, Grécia, França, Itália, Polónia e da Rússia. O jornalista lituano da edição DELFI tentou perceber as motivações e razões destes voluntários.

por: Artūras Morozovas, www.DELFI.lt, versão curta, o título é da responsabilidade deste blogue

Após a verificação matinal na sua base, os militares do “Azov” recebem as ordens do dia, dirigindo-se para o pequeno-almoço. O tempo esfriou, por isso os alimentos desempenham um papel importante. Os militares adoraram a vinda de uma nova equipa profissional de cozinheiros, oriunda de Kyiv. No espaçoso refeitório existe uma mesa separada, onde se comunica em inglês. Os legionários contaram por que eles estão prontos à combater por um país estrangeiro.

Nas fileiras de “Azov” há um voluntário da Lituânia. É médico Henrikas Jankauskas, o seu pai é natural de Vilnius, a mãe é de Luhansk.

«Eu já estive na Lituânia, tenho lá a família, mas não falo lituano», — conta o médico que nasceu e cresceu na Ucrânia; no «Azov» apenas um mês. O seu pai trabalha em Londres, a mãe na Líbia. Após terminar o curso de paramédicos, ele decidiu se inscrever no regimento. «Labas, labas», — o cumprimenta ucraniano Vladislav(as). «A minha mãe é de Jūžintų, se casou com um ucraniano, tenho a sangue dos dois povos», — contou Vladislavas que entende lituano, visita Lituânia, embora nasceu e cresceu em Kyiv.

Mas a maioria dos voluntários são da Suécia. Um deles que se chama Leo, algumas semanas atrás veio do Malmö. Na sua bochecha se vê a tatuagem do tridente do Posídon, símbolo da unidade especial de elite do exército sueco, Kustjagarna. Leo conta que recentemente foi graduado pela Academia Militar sueca, veio a Ucrânia para lutar contra os separatistas pró-russos, ajudando aos ucranianos.

«Não é me indiferente, quando na Europa do século XXI mudam as fronteiras nacionais, não é me indiferente, quando um país entra num blindado no território de outro Estado soberano», – diz Leo e assegura que estará no Donbas tanto, quanto for necessário.

Para vir a Ucrânia, Mykola de Estocolmo interrompeu os seus estudos universitários. Ele veio porque estava decepcionado com a tolerância excessiva da Suécia para com a Rússia: “Estou aqui para lutar contra os separatistas. Me irrita a neutralidade da Suécia em certos assuntos. Acho que chegará a hora e o meu país irá tratar a Rússia de outro modo”.
Mikael Skillt
Em operações militares na Donbas participaram apenas alguns estrangeiros. De acordo com Leo, eles ainda não podem participar em combates – a não fluência em russo e ucraniano que gere a incapacidade provável de se entender em um momento crítico. Os estrangeiros não escondem o facto de que no “Azov” é criada uma unidade de legionários que deverá ser comandada pelo franco-atirador sueco, que se tornou lendário na Ucrânia, Mikael Skillt.

O voluntário mais experiente do “Azov” é considerado o instrutor militar de Tessalónika.

“Chegando ao regimento, eu imediatamente entrei nos combates na região de Donetsk. Nem sequer tive tempo para receber a uniforme”,  – se recorda ele. O militar profissional do exército grego disse que em alguns meses em “Azov” viu as enumeras ações militares. De acordo com ele, veio aqui por motivos pessoais: «Grécia é um país que apoia o comunismo, por isso apoia a ação da Rússia. Eu sempre fui uma pessoa pró-ocidental. No nosso país nós passamos por uma guerra de cinco anos com os gregos das origens búlgaras, que foram apoiados pelo Partido Comunista e, claro, pela URSS. Eu não vejo muita diferença entre as ações dos separatistas na Grécia e em Donbas» – disse o voluntário que já está no «Azov» por dois meses.

O grego, tal como outros estrangeiros, veio à Ucrânia em segredo e protege os seus dados pessoais. A maioria deles quer evitar atenção indesejada, temendo a possível perseguição após o retorno aos países da origem.

Fonte e fotos:

Mais fotos do «Azov»:

Blogueiro

O regimento «Azov» é severamente criticado por alguns, acusado de alegado “nazismo” por causa do uso do símbolo rúnico Wolfsangel como elemento da sua emblema. Neste caso, as “nazis” também são mais de uma dúzia de municípios na República Federal Alemã que usam o mesmíssimo símbolo como elemento das suas brasões municipais.

O futebol, para variar!

Ucrânia ganhou na sua deslocação à vizinha Belarus (qualificação para o Euro-2016, #BlrUkr) por 0:2. As tribunas dos dois países mostraram uma solidariedade ímpar: os fãs ucranianos gritavam "Zhyve Belarus!" (Viva Belarus!), os belarusos respondiam com “Glória à Ucrânia!”, em conjunto os fãs cantavam o hino nacional da Ucrânia, a composição “Guerreiros da Luz” e a canção popular ucraniana “Putin – huylo!” 

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