domingo, fevereiro 18, 2018

Ucrânia: quatro anos desde Maydan e da morte da Centena Celestial (fotos e vídeos)

Quatro anos se iniciou na Ucrânia o período mais trágico da Revolução da Dignidade. Entre os dias 18 e 20 de fevereiro de 2014, na Maydan (Praça da Independência em Kyiv), foram assassinadas mais de 100 manifestantes, mais de mil foram feridos e centenas de outros foram presos e torturados.
Até o dia 24/02/2014 foram identificados 81 manifestantes e 12 polícias mortos
Os manifestantes eram da Ucrânia, Geórgia (3) e Rússia (2)
Ativistas ucranianos mortos e feridos, 18-20/02/2014
Quem eram os assassinos?

Jovens delinquentes, conhecidos como titushki, armados com as pistolas se escondem atrás da polícia ucraniana
Um dos comandantes dos atiradores responsáveis pela morte dos diversos manifestantes (ocorridas nos dias 19-20.02.2014), foi identificado como coronel Serhiy Asavelyuk do grupo especial de operações (spetznaz) do Ministério do Interior da Ucrânia.
Coronel Asavelyuk e o seu grupo de franco-atiradores
O seu grupo especial usava os capacetes e o fardamento negros que o distinguia claramente das outras unidade da polícia ou dos serviços secretos. Este grupo especial se baseava na Crimeia, como informava, na altura, a página oficial do Ministério do Interior da Ucrânia.
O coronel Serhiy Asavelyuk na altura tinha 43 anos, era conhecido pelo nom de guerre de “Assa”, especializava-se em ações paramilitares. Foi membro do grupo especial “Alfa” da secreta ucraniana (SBU). Mais tarde se tornou o responsável de segurança das diversas organizações, empresas e organizações do setor privado.
O regime do Yanukovych usa os blindados ligeiros, um deles foi queimado na Maydan
Com início da guerra russo-ucraniana, que começou em abril de 2014, coronel Serhiy Asavelyuk continuou firme ao seu juramento de defender Ucrânia, em várias ocasiões ele participou em combates diretos contra as forças russo-terroristas. No dia 5 de maio de 2014, Asavelyuk participou na primeira batalha das forças especiais ucranianas contra as unidades russo-terroristas nos arredores de Slovyansk. A sua contribuição profissional na Operação Antiterrorista (OAT) é avaliada pelos militares, jornalistas e blogueiros ucranianos como positiva...
Polícia "Berkut" maltrata e tenta humilhar os manifestantes, na foto em baixo
o manifestante "capturado" (com dobro de idade do polícia) é arrastado no chão pelos cabelos
Coronel Serhiy Asavelyuk chegou a testemunhar no tribunal sobre a sua participação nos acontecimentos de Maydan, ele está comandar uma unidade especial da Guarda Nacional da Ucrânia (NGU), nunca foi indiciado por qualquer crime cometido por ele, ou sob o seu comando.
Fotógrafo ucraniano Gleb Garanich/Reuters foi atingido pela granada de som e luz, salvo pelo colete prova de bala
Até hoje nenhum polícia ucraniano foi condenado pela sua participação direta nos crimes cometidos na Maydan. Um grande número dos polícias do destacamento antimotim “Berkut” fugiram para Rússia e servem nas unidades antimotim russas. Outros simplesmente desapareceram do mapa, presumivelmente também se encontram à viver na Rússia.
Munição usada pelo destacamento de polícia "Berkut" contra os manifestantes
Graças à decisão política (muitíssimo contestada) de não perseguir os responsáveis, Ucrânia conseguiu manter no ativo ou na neutralidade operacional diversos polícias e oficiais das unidades especiais, que, de outra forma, seguramente serviriam aos inimigos do país.   
A história dos "fascistas" ucranianos, pai e filho Kuznetsov
A batalha em Kyiv na rua Instytutska (20.02.2014). Os manifestantes, munidos de escudos de contraplacado e de alumínio enfrentam os franco-atiradores governamentais. Quase todos os ativistas que aparecem no início deste vídeo, serão mortos ou feridos no decorrer das ações de resistência popular, retratadas no filme documental "Como morria a Centena Celestial":

Ver o filme “Winter On Fire” – completo e dublado/dobrado em português:

Ucrânia ganha a primeira medalha de ouro nos JO-2018 em PyeongChang

Neste domingo, 18 de fevereiro, o atleta ucraniano Oleksandr Abramenko, ganhou para Ucrânia a sua primeira medalha de ouro na categoria de esqui estilo livre (freestyle) nos Jogos Olímpicos de Inverno de 2018 em PyeongChang.
O atleta efetuou um salto muito complexo de acrobacia de esqui, nunca antes realizado em competições internacionais. Os juízes avaliaram o salto em 128,51 pontos, a marca que não foi superada por nenhum dos seus rivais.
Faça click para ver vídeo e fotos
A qualificação do Oleksandr às Olimpíadas não foi nada facil. Na primeira tentativa, ele conseguiu o 9º resultado (123,01 pontos), o que não lhe permitiu chegar imediatamente às finais (para isso, foi necessário obter lugar nos primeiros seis classificados entre 25 atletas). No entanto, na segunda tentativa, Abramenko ocupou o quarto lugar e se classificou 10º entre 12 participantes, escreve a página ucraniana news.pn
Desta feita, Ucrânia ocupa provisoriamente o 17º lugar na classificação geral, no total de 26 países, cujos atletas conseguiram até agora ganhar uma medalha destes Jogos Olímpicos de Inverno.
Obrigado Oleksandr!
Glória à Ucrânia!

sábado, fevereiro 17, 2018

RIP Oleksandr Khomchenko: evangélico ucraniano torturado pelos terroristas

No dia 16 de fevereiro de 2018 morreu o pastor protestante ucraniano Oleksandr Khomchenko que em 2014 foi severamente espancado e submetido às mais cruéis torturas apenas por rezar publicamente pela Ucrânia no centro de Donetsk.

Maratona de orações
Na primavera de 2014, no centro de Donetsk, na praça de Constituição, o pastor evangélico ucraniano, Oleksandr Khomchenko, ancião da igreja “Palavra da Vida” (http://wolua.org/en), colocou uma tenda e convidando os representantes de todas as confissões religiosas, começou as orações diárias pela paz. Apenas a Igreja Ortodoxa Ucraniana – Patriarcado de Moscovo estava ausente. No início, as orações reuniam até 300 pessoas, mas com o tempo, o número dos terroristas na cidade aumentava e as pessoas deixavam de aparecer, amedrontados. Na altura, era possível ser assassinado apenas por ostentar na sua roupa a fita com as cores da bandeira ucraniana. Em julho de 2014 a tenda foi 4 vezes atacada pelos terroristas do bando separatista “Oplot”, e pelos ex-polícias “Berkut” que passaram para o lado dos terroristas. A explicação que se orava pela Ucrânia e todos os seus cidadãos, não ajudava. Os padres das outras igrejas já não vinham, uns foram ameaçados com o fuzilamento, outros, eles próprios tiveram o medo. No total, a maratona durou 158 dias...

De dia, Oleksandr transportada fora de Donetsk, para Ucrânia livre, as famílias com as crianças pequenas ou doentes. Uns com ajuda de autocarros, outros, com as crianças deficientes, na sua própria viatura.

Nas masmorras do “NKVD”
O pastor Oleksandr Khomchenko após as torturas russo-terroristas
Oleksandr foi preso em 4 de agosto de 2014, quando veio à oração, após retirar da cidade mais uma família. [Os terroristas disseram]: “Somos da inteligência do exército ortodoxo [assim no leste da Ucrânia se identificavam os nazis russos da organização nazi russa RNE]. Você está preso”. A permissão emitida pelo Município foi rasgada pelos terroristas e Oleksandr e uma das suas paroquianas foram levados à sede provincial da polícia [em poder dos terroristas]. A acusação foi: “Vocês não têm o crucifixo. Que tipo de ortodoxos são vocês?” A paroquiana mostrou o seu crucifixo e acabou por ser libertada, o pastor e o seu ajudante Valério foram levados à cidade de Makiivka. Num dos momentos, Oleksandr achou que estava à sonhar, quando viu a placa numa das portas do edifício: “NKVD”.
 
Oleksander foi espancado, torturado, amarrado com as suas mãos atrás das costas, pendurado numa espécie de patíbulo. Num dos quartos deste “NKVD” ele viu um conjunto completo de ferramentas para a tortura. “Lembrei-me de tudo o que eu tinha lido sobre a Inquisição”, – conta o pastor. Após encontrar nos seus bolsos as senhas de gasolina e percebendo que a matrícula do seu carro é de Dnipro, os terroristas o acusaram de trabalhar para o industrial Igor Kolomoisky, tentando arrancar a informação para quem pastor trabalhava e à quem relatava as suas atividades...

O bandido que o torturou em Donetsk contou que vinha de Belgorod (Rússia) para combater o dito fascismo. Oleksandr conta que mais uma vez ficou perplexo, pois pela ortodoxia lutava o terrorista com alcunha de Igor “Bes” Bezler (Demónio), contra o fascismo lutava um tal de Sergey “Abwehr” Zdrylyuk (aparentemente liquidado em maio de 2017 na Donbas).

Três fuzilamentos em quatro dias

Em quatro dias de cativeiro, Oleksandr foi três vezes levado ao fuzilamento. Na primeira vez a rajada passou por cima da cabeça, embora o pastor conta que estava preparado para morrer. No primeiro dia do cativeiro ele via e ouvia como matavam os ucranianos: alguém foi morto com a espingarda automática, outro foi alvo do “teste” do morteiro. Uma pessoa foi colocada de joelhos e levou a bala na nuca. Pela segunda vez pastor foi levado ao fuzilamento em Makiivka, colocado na berma do buraco cheio de corpos dos prisioneiros fuzilados. “Após a guerra, iremos encontrar muitas valas comuns deste tipo”, – diz Oleksandr e conta que após se confessar instantaneamente, disse às canalhas que estavam à sua frente: «Obrigado, vós, meus amigos. Eu sei à onde vou, o vosso caminho é o lugar nenhum». Mais uma vez os terroristas dispararam ao lado…

A vida após o cativeiro
O pastor recebeu a medalha popular "Herói Popular da Ucrânia"
Oleksandr não sabe porque não morreu, pensa que talvez o chefe da “contrainteligência” dos terroristas teve medo da repercussão do caso. Os crentes da sua igreja estavam na porta do “NKVD”, orando em voz alta e o pastor lhes foi entregue. Na condição de não voltar ao Donetsk, pois ele foi colocado na lista daqueles que seriam fuzilados. As pessoas que ficaram em Donetsk, contam que, de todos os que o torturavam, hoje nenhum está vivo.  

Após o cativeiro, Oleksandr foi à cidade de Mariupol, onde por ele esperavam os seus estudantes, a filha com os netos e o genro. Embora recebeu as propostas de servir a igreja em Kyiv ou Odessa, ficou em Mykolaiv, na companhia de um dos seus melhores amigos. Vivia em um quartinho junto à igreja. Ficava contente com pouca coisa. Considerava como a sua missão principal as visitas à zona da Operação Antiterrorista (OAT), para salvar as almas dos jovens militares ucranianos. Quando estes lhe faziam as perguntas pouco religiosas, por exemplo, sobre o significado da guerra, lhes explicava: “não confundem o país e o Estado; o Governo e o povo”.

Até últimos dias da sua vida ele ajudava aos ucranianos que viviam na zona de OAT. Era amigo do nosso blogue, leu a agradeceu o artigo publicado que relatava o seu Calvário pela fé e pela Ucrânia.

RIP Oleksandr.
Glória à Ucrânia!

sexta-feira, fevereiro 16, 2018

Reuters: perdas russas na Síria – 300 mortos e feridos

Agência Reuters escreve que cerca de 300 mercenários russos de uma EMP russa vinculada ao Kremlin, foram mortos ou feridos na Síria na semana passada (30% deles com muita gravidade) e hoje são tratados nos hospitais militares russos.

Um médico, citado pela Reuters conta que o seu hospital recebeu na manha de sábado (10 de fevereiro) cerca 50 pessoas feridas, dos quais 30% com muita gravidade. Ele disse que feridos foram trazidos nos aviões militares de carga, especialmente equipados para receber pacientes gravemente feridos. O médico explicou que a maioria das vítimas eram “contratados militares”, ou seja mercenários russos.

Yevgeny Shabayev, líder de um grupo local dos “cossacos” que tem fortes laços com diversos mercenários russos, contou à Reuters que tinha visitado, na quarta-feira (14 de fevereiro) os conhecidos seus, que foram feridos na Síria e estão sendo tratados no Hospital Central do Ministério da Defesa em Khimki, nos arredores de Moscovo.

De acordo com Shabayev, as duas unidades de mercenários russos, de cerca de 550 homens se envolveram na batalha perto de Deir ez-Zor. Destes, cerca de 200 não estão registados nem entre mortos, nem entre os feridos.
A lista dos 74 mercenários russos da EMP "grupo Vagner" desaparecidos após o combate do dia 7/02/2018. Estas 74 personagens da 5ª unidade de assalto (números 1 e 74 já foram confirmados como mortos, possivelmente sem existirem nada no lugar dos seus corpos) não estão nem entre os mortos, nem entre os feridos. Além disso, na lista os números № 10, 16, 24, 43, 48, 56, 57 e 67 são marcados como "instrutores", possivelmente são militares russos no ativo, forças de operações especiais (SSO).
“Se você entende alguma coisa sobre ação militar e lesões de combate, então você pode imaginar o que está acontecendo lá. Ou seja, constantes gritos, gemidos de dor”, disse Shabayev à Reuters.

Uma outra fonte, que falou com Reuters sob condição de anonimato, disse que o número total de cerca de 300 mortos ou feridos é bastante correto. Ele explicou que muitos dos feridos têm estilhaços nos seus corpos que não estão aparecendo em raios-X, dificultando o tratamento: “o prognóstico para a maioria dos feridos é triste”.

Guerra dos proxy
3º Hospital Militar “Vishnevski” na cidade de Krasnogorsk
Outros hospitais militares que tratam os mercenários russos feridos em Síria são o 3º Hospital Militar “Vishnevski” na cidade de Krasnogorsk e 5º Hospital Militar em Balashikha, ambos nos arredores de Moscovo; o hospital Burdenko em Moscovo e a Academia Médica Militar de São Petersburgo. Isso é, de acordo com fontes médicas, com Shabayev e outras três pessoas que conhecem mercenários mortos e feridos.

Reuters contactou esses hospitais por telefone na quinta-feira (14/02), mas não conseguiu receber nenhum comentário, com confirmação ou negação dos factos relatados.

Sabe-se que a maioria destes mercenários são cidadãos russos, embora alguns podem possuir a nacionalidade ucraniana ou sérvia.

Perdas russas na Síria
Monumento em Khabarovsk na Rússia com nomes de 4 militares russos, mortos na Síria em 2017
De acordo com os dados do já citado blogueiro militarista russo Mikhail Polynkov, próximo ao terrorista russo Igor “Strelkov” Girkin, as perdas irrecuperáveis dos mercenários russos na Síria são as seguintes:

217 pessoas – 5ª unidade de assalto
10 pessoas – 2ª unidade de assalto
94 pessoas – grupo “Vesna” (ex-«Karpaty»)
13 pessoas – unidade de artilharia

No total: 334 mercenários mortos, os dados ainda não são finais.

Bónus

«Passamos um teste na semana passada. Mas foi um teste surpresa, não o exame final» (The New York Post);
«Na primeira [unidade] 200 baixas, os mortos [...] na segunda cerca de 20 [...] na nossa – 75. É um ...... (horror), desde [20]14 não sofríamos perdas assim» (Rádio Svoboda);
A tabela Excel, preparada pelo grupo OSINT russo CIT com números de baixas, avançados pelos diversos órgãos de comunicação, ocidentais e russos.

Bónus II
Ler mais
Surge a informação sobre a possível liquidação na Síria de um grupo de nazis russos, comandado pelo amigo do Rafael Lusvarghi, Alexey “Fritz” Milchakov. Sabe-se que por mais uma semana este psicopata, conhecido pela sua crueldade contra os POW ucranianos está incontactável. Será que desta ele irá ao inferno?

13 cidadãos russos acusados da interferência nas eleições americanas

Prigozhin, Putin e garçon. @AP/Misha Japaridze, Pool
Nos EUA 13 cidadãos e 3 organizações russos foram formalmente acusados da interferência da Rússia na eleição presidencial nos Estados Unidos. O documento foi publicado na página do Departamento de Justiça dos EUA.
Consultar o documento
Entre os acusados está a Internet Research Agency, LLC; chamada de “fábrica russa de trolls” e o empresário Yevgeny Prigozhin, conhecido como “cozinheiro do Putin” e considerado uma pessoa muito próxima ao presidente russo.
Exemplos de propaganda, lançada pela fábrica de trolls russos
A imprensa russa liga o nome do Prigozhin aos mercenários russos da EMP “grupo Vagner”, ativos na Ucrânia (2014-15) e na Síria (2014-2018) e parcialmente aniquilado recentemente, no decorrer da bem-sucedida resposta defensiva americana.  

O documento afirma que a interferência russa nas eleições americanas começou em 2014.

quinta-feira, fevereiro 15, 2018

Quinze mercenários russos morreram numa explosão na Síria

Foto apenas chamativa de maio de 2017
Quinze serviçais russos, empregados na Síria por uma empresa de segurança privada foram mortos na explosão de um depósito de armas na sua própria base em Tabiya Jazira, na província de Deir ez-Zor, informou a ONG síria Observatory for Human Rights (SOHR).

Pela informação da SOHR, a empresa russa de segurança estava encarregada de proteger os campos de petróleo e gás controlados pelo regime sírio: “Quinze russos que trabalham para uma empresa de segurança privada russa foram mortos em uma explosão em um depósito de armas da [sua] empresa em Tabiya Jazira na província de Deir ez-Zor”, disse o diretor da ONG, Rami Abdel Rahman, à Agence France-Presse, citado pelo jornal britânico The Guardian.

Os mercenários russos acompanharam as forças do regime, avançando aos campos de petróleo e gás nas margens orientais do rio Eufrates, controlados pelas Forças Democráticas da Síria (SDF), uma aliança de combatentes árabes e curdos, apoiada pelos EUA.

A página do Observatório sugeriu que os combatentes do regime estavam tentando retirar as armas do depósito, mas desencadearam uma explosão, resultante de uma armadilha explosiva. Um total de 23 pessoas morreu na explosão, incluindo os 15 russos. Acredita-se que as vítimas sírias eram combatentes do regime, pertencentes à brigada al-Baqir.
A fábrica e campos de petróleo e gás Conoco (ex-ConocoPhillps) que os mercenários
russos pretendiam ocupar na noite de 7 à 8 de fevereiro de 2018
A informação sobre a morte dos 15 mercenários russos vêm na sequência da tentativa russo-síria de ocupar a fábrica e campos de petróleo e gás Conoco (construída e gerida pela empresa americana ConocoPhillps e mais tarde nacionalizada pelo regime sírio. Naturalmente, hoje os seus verdadeiros proprietários não estão dispostos entregar os seus bens aos terceiros). Vários mercenários russos foram mortos no decorrer da bem-sucedida resposta defensiva americana.

Rússia reconhece a morte dos mercenários

Pela primeira vez desde a ação defensiva americana, a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da federação russa, Maria Zakharova, nesta quinta-feira (15/02/2018) reconheceu a morte dos cinco cidadãos russos, em resultado do ataque aéreo da coligação liderada pelos Estados Unidos da América.

“De acordo com dados preliminares, como resultado de um choque armado, cujas causas estão agora sendo esclarecidas, podemos falar sobre a morte de cinco pessoas, presumivelmente cidadãos russos. Também há feridos, mas tudo isso exige verificação, em particular e antes de tudo, a sua cidadania (...) Quero enfatizar mais uma vez que não estamos falando de militares russos” (fonte).

Blogueiro: em apenas uma semana a informação sobre aniquilação dos mercenários russos passou de “claramente falsa”, à presumivelmente verdadeira, embora à necessitar a verificação. Na opinião do blogueiro militarista russo el-murid, possivelmente a informação avançada pelo SOHR pretende ocultar a morte dos militares russos no ativo, pertencentes às forças de operações especiais (SSO) que, na realidade, morreram na ação aérea americana. De acordo com o blogueiro, a ONG do Rami Abdel Rahman é conhecida por divulgar a informação bastante fidedigna, recebida, eventualmente dos serviços secretos britânicos.

Enquanto se escrevia este texto, chegou a informação com nomes e fotos de mais dois mercenários russos, abatidos em Deir ez-Zor na noite de 7 à 8 de fevereiro, falta confirmar se eles também eram terroristas no leste da Ucrânia.

Síria: o fim dos bastardos inglórios do grupo Vagner

O blogueiro militarista russo Mikhail Polynkov considera que o número de 600 mercenários russos mortos pelo exército e marinha dos EUA na Síria pode ser demasiadamente otimista. Polynkov visitou no hospital russo um dos mercenários feridos e publicou a sua história, contada na primeira pessoa.
   

Os pontos mais importantes das “impressões” do mercenário:

1. Os mercenários russos assinavam os contratos com a empresa russa “Euro Polis” e vinham para Síria na qualidade de cooperantes civis: chefes do património, geodesistas, topógrafos, etc.

Sabe-se que empresa russa “OOO Euro Polis” [ler mais], celebrou um memorando de entendimento com o governo sírio em que comprometia-se à libertar os campos de petróleo e gás, as fábricas de processamento e outros objetos da infra-estrutura de gás e petróleo, capturados pelas forças de oposição ao regime de Damasco, e depois defendê-los. Em resultado, a OOO Euro Polis deverá receber ¼ dos dividendos da produção de petróleo e gás destes mesmos campos, a empresa também é reembolsada separadamente e de forma adicional, pelos seus custos de operações de combate. O memorando é válido por 5 anos, embora só entrará em vigor efetivo após a adopção de uma nova legislação síria, algo que simplesmente pode nunca acontecer.

2. No ataque à fábrica, onde estavam aquarteladas as forças curdas, com a presença dos militares americanos participaram três esquadrões de assalto. “Vesna” (Primavera) – ex-“Karpaty” (Cárpatos), composto por separatistas ucranianos de Donbas e mercenários russos que participaram nas actividades terroristas no leste da Ucrânia. 2ª e 5ª destacamentos de assalto. Cada unidade era composta por 350 pessoas. Cada destacamento possuía os seus próprios equipamentos de combate, como sistemas antiaéreas ZU, montados nos camiões/caminhões russos “Ural” e blindados BRDM. Na operação participou o grupo blindado, composto por tanques dois ou três T-62, BRDM, BU-57 e uma divisão de canhões M-30. Aos mercenários foi prometida a cobertura da defesa antiaérea, algo que não aconteceu. Praticamente não houve nenhum sírio na coluna. Mas aos diversos mercenários russos foram distribuídas as bandeiras sírias.

O grupo “Vesna” começou o ataque. O 2º e 5º destacamentos estavam em formação de marcha, esperando pela segunda ordem. Quase imediatamente após o início do assalto, os mercenários russos se tornaram alvo do bombardeamento americano [possivelmente os morteiros de 120 mm]. Durante muito tempo os mercenários ficaram com sistemas de comunicação inoperacionais. Depois eles sofreram um pesadíssimo ataque aéreo de bombas e mísseis. A precisão dos bombardeamentos era absolutamente incrível. Os meios aéreos recebiam as coordenadas muitíssimo precisas à partir da terra. Por exemplo, um míssil acertou diretamente no blindado BRDM, 11 mercenários foram atingidos. Durante cerca de quatro horas, os restos da coluna foram alvos de fogo de helicópteros americanos, de trabalhavam de forma giratória. Na saída, os restos das unidades foram novamente atingidas pelo ataque de helicópteros que usavam os mísseis. Até ao rio Eufrates de todo o grupo blindado chegou apenas um tanque [possivelmente T-62]. A inteira divisão de artilharia ficou aniquilada. Um dos canhões foi atingido diretamente no pilha de obuses.

3. A fonte diz que apenas o seu destacamento teve 200 mortos. Tendo em conta que a sua unidade nem sequer chegou à participar no assalto.

4. Hauve muitos voos militares russos, transportando mortos e feridos. Estes eram transportados não só para Moscovo e arredores, mas também para São Petersburgo e Rostov-no-Don. A evacuação foi rápida, os mercenários eram levados com as vestes que tinham no corpo no momento do ataque.

5. Sobre ausência das fotos e dos vídeos. Todos os mercenários russos assinam o contrato com estrita proibição de tirar fotos e vídeos. Nos seus smartphones (que eles podem usar, de forma parcial fora dos combates, aquartelados nas bases) é instalado um programa especial que bloqueia o gravador e a câmara.

Blogueiro: facilmente podemos imaginar que os curdos (que tiveram a participação mínima), receberam o pedido americano de não fazer / não divulgar as imagens, que, por sua vez, seguramente foram feitas, de forma abundante, à partir dos drones e dos satélites que monitoraram aniquilação dos mercenários. Também, é de louvar o uso, em primeira mão dos alegados separatistas de Donbas, desta feita as Forças Armadas da Ucrânia (FAU), foram poupados do trabalho futuro.

terça-feira, fevereiro 13, 2018

Bloomberg: os EUA mataram mais de 200 mercenários, maioria — russos (vídeo)

Militares russos em Deir ez-Zor, 15 de setembro de 2017. @Dominique Derda/AFP via Getty Images
Mais de 200 mercenários, na sua maioria cidadãos russos, foram aniquilados em resultado da ação militar americana em 7 de fevereiro nas arredores da cidade síria de Deir ez-Zor, escreve agência Bloomberg, citando as fontes russas.
Forças especiais americanas em Manbij, na Síria, perto da fronteira com Turquia
@Maurício Lima para The New York Times
O texto da Bloomberg também cita as fontes americanas que falam em 100 mercenários mortos e 200-300 feridos, todos eles pertencentes às forças pró-regime de Damasco.

Na entrevista ao jornal americano The New York Times, o empresário russo Aleksandr Ionov, que na Síria se dedica ao fornecimento dos serviços de segurança, afirma que no dia 7 de fevereiro as forças americanas abateram 200 mercenários, na sua maioria cidadãos russos (possivelmente alguns dos mercenários possuiam a cidadania ucraniana e de outros países do espaço pós-soviético).
Separatista (?) Vladimir "Apostol", terrorista na dita "dnr", liquidado na Síria em 7/02/2018
Falando com os jornalistas russos, o chefe dos cossacos da cidade de Asbest, Oleg Surnin confirmou que o número de mercenários mortos é superior às 200 pessoas: “antes de ontem [11/02/2018] já tivemos a informação sobre 217”, disse ele.
A casa miserável de um dos mercenários abatidos na Síria em 7/02/2018
e confirmação documental da sua atividade terrorista no leste da Ucrânia
O jornal russo Novaya Gazeta confirma a morte de 13 e ferimentos de apenas 15 cidadãos russos. Como escreve o jornal, os militares americanos contactaram, previamente, a sua contraparte russa, informando da vinda de um grupo armado, que tencionava atacar o campo de petróleo e gás de Conoco. Apenas depois dessa confirmação, as forças americanas atacaram os mercenários com toda a sua força disponível, usando os drones MQ-9 Reaper, bombardeiros B-52 (!), canhões voadores AC-130, helicópteros Ah-64 Apachee, caças F-15E e também artilharia da marinha dos EUA (fonte). 

Em resultado de um ataque rápido e impiedoso, decorrido na noite de 7 à 8 de fevereiro (com continuação nos dias 10 e 12 de fevereiro), as forças curdas e americanas aniquilaram os atacantes, cujas baixas são avaliadas entre 215 às 640 unidades
O grupo OSINT russo Conflict Intelligence Team (CIT) avança que os mercenários russos mortos e feridos pertenciam à EMP “grupo Vagner”, que até este momento estava ativo nos campos de petróleo e gás sírios, situados na delta do rio Eufrates.
Os mercenários do grupo denominado ISIS Hunters, alegadamente apenas uma cobertura
para as actividades dos mercenários russos da EMP "grupo Vagner"
É de notar que dos 6 mercenários russos, com mortes confirmadas, abatidos pelas forças americanas em 7 de fevereiro em Deir ez-Zor, cujos nomes foram divulgados até hoje, todos os 6 (ou seja, 100%), participaram nas atividades terroristas no leste da Urânia.
Terrorista no leste da Ucrânia, liquidado na Síria em 7/02/2018
Bónus

Dois tribunais ucranianos da cidade de Kyiv julgaram e condenaram pela traição estatal e deserção os ex-militares ucranianos Maxim Odintsov e Alexander Baranov, condenados aos 14 e 13 anos de cadeia, respetivamente.
foto @RFE/RL
Em 2014, ambos traíram o seu juramento militar, passando à servir às forças de ocupação russas na Crimeia. Em novembro de 2016, a secreta ucraniana SBU deteve Baranov e Odintsov na região de ucraniana de Kherson, na fronteira administrativa com a Crimeia.
O momento da detenção dos desertores em novembro de 2016
Tal como no caso de Rafael Lusvarghi, a secreta ucraniana efetuou uma bem-sucedida operação, em que ambos os traidores foram detidos no território da Ucrânia, para onde se deslocaram de livre e espontânea vontade, para adquirir os diplomas falsos de formação superior (os documentos eram necessários para progressão na hierarquia militar russa). Tal como no caso Lusvarghi, ambos são defendidos pelo advogado pró-separatista Valentim Rybin e ambos poderão servir de moeda de troca na libertação dos POW ucranianos, detidos ilegalmente na Rússia.