domingo, novembro 19, 2017

Maydan zimbabueano: “Enough is Enough” (18 fotos)

Na capital zimbabueana Harare e outras cidades do país decorrem as numerosas manifestações populares que exigem a saída do Robert Mugabe do poder e em apoio às Forças Armadas do Zimbabwe (ZDF).
O símbolo principal dos protestos é a bandeira nacional do país que mostra a unidade nacional dos zimbabueanos. Tudo decorre de forma calma, pacífica e muito civilizada. As pessoas exigem a saída do Mugabe, vestindo as T-shirt com a frase de “Enough is Enough”. Da rua central do Harare são retiradas as placas com o nome do presidente deposto. Os cidadãos empunham os cartazes que exortam a União Africana e SADC não interferir nos assuntos internos do país.
Ler mais: A queda do Mugabe e a fuga da “Gucci” Grace Mugabe
Para já tudo indica que Mugabe e o seu grupo perderão o controlo e poder à favor do Emmerson Mnangagwa, militares e oligarcas [industriais locais]. A intriga reside no facto de como os acontecimentos correntes serão vistos pela comunidade internacional e se a comunidade internacional aceitará os protestos populares deste sábado como um argumento suficientemente válido para reconhecer o novo regime.  
Foto: Doug Coltart | Internet | Texto: Oleksandr Mishyn

sábado, novembro 18, 2017

Triplo Brejnev: os segredos do famoso beijo comunista masculino (17 totos)

O líder comunista soviético Leonid Brejnev (1966-1982) gostava de receber as medalhas e condecorações, conduzir os carros às altas velocidades e beijar outros líderes mundiais: comunistas, não-alinhados e até os capitalistas.

Geralmente Brezhnev agarrava o seu homólogo estrangeiro nos braços e o beijava firmemente por 3 vezes: na bochecha esquerda, depois na bochecha direita e finalmente na boca. Considerando o estatuto do Secretário-geral do PCUS e líder do estado soviético, poucas pessoas conseguiram se esquivar de tal “honra” que até recebeu o nome próprio – o “triplo Brejnev”.
Em 1968 Yasser Arafat visitou a URSS pela primeira vez, onde foi recebido pelo Brejnev. O líder palestiniano rapidamente ganhou a confiança do Kremlin, e, como consequência, ficou com o direito de receber o beijo triplo. Seguramente Arafat não ficou escandalizado, nas tradições árabes, o beijo triplo é generalizado, como um gesto de confiança e boa disposição para com o seu interlocutor.
Consta-se que uma vez Brejnev beijou o líder da ex-Jugoslávia, Josip Broz Tito (foto em cima), de tal forma fortemente, que lhe rasgou o lábio. 
Não escapou ao triplo beijo a esposa do Tito, Jovanka (Budisavljević) Broz, quando visitou a URSS juntamente com a delagação do seu país.
O beijo de Leonid Brejnev ao Secretário-geral do Partido Comunista da Checoslováquia, Gustáv Husák (em cima) impressionaram os checos e eslovacos de tal maneira, que este feito histórico ainda está vivo na memória da geração de 1970.
Leonid Brejnev e Nicolae Ceauşescu na URSS em Yalta (1976)
Brejnev também tentou beijar o líder comunista romeno, Nicolae Ceauşescu. No entanto, o ditador romeno foi o único que rejeitou direta e categoricamente esse ritual, pois ele era extremamente averso aos contatos físicos e eternamente preocupado, de forma praticamente patológica, com a limpeza e a sua saúde.
Em 1971, houve uma outra tentativa malsucedida de triplo Brejnev, desta vez a sua vítima era a Primeira-ministra britânica, Margaret Thatcher. No entanto, a Dama de ferro conseguiu se evadir deste gesto com muita classe e tacto, de facto, inaceitável para alguém com educação britânica clássica.
Em 1973, quando a Cortina de Ferro foi ligeiramente entreaberta, na sequência da famosa détente entre EUA e União Soviética, uma delegação dos Estados Unidos visitou a URSS. A atriz norte-americana Jill St. John (na altura a namorada do Henry Kissenger, na foto em cima) fazia parte da delegação. A blogosfera russa conta a história do alegado beijo ardente entre Jill e Brejnev, beijo do qual não ficou o registo fotográfico, além dos olhares carnais que líder comunista soviético lançava ao corpo da atriz. 
Por alguma razão misteriosa os blogueiros russos inventaram o nome e uma profissão à atriz que chamam nos seus artigos de “Annie Hallman, a discreta professora de coreografia”.
Jimmy Carter, o 39º presidente dos Estados Unidos, foi o único presidente americano a receber o beijo do beijoqueiro líder soviético, aconteceu em Moscovo em 1 de janeiro de 1979:

Indira Gandhi e Leonid Brejnev, Moscovo, 28 de setembro de 1971
Do mesmo jeito, não há registos conhecidos do alegado “beijo apaixonado” entre Brejnev e a 1ª Ministra da Índia, Indira Gandhi (foto em cima), que alegadamente pode ser visto nos seus apartamentos, transformados em museu, em Nova Deli, juntamente com outras relíquias associadas ao nome da estadista indiana. 

Em janeiro de 1974, Brejnev, pela primeira vez visitou a Cuba. Consta-se que Fidel Castro que já sabia do “triplo Brejnev”, como também sabia que este gesto não será muito bem apreciado pelos cubanos. 
Para evitar os embaraços, o ditador cubano usava o cigarro, possivelmente o protocolo soviético também pediu ao Brejnev para não avançar como o seu ritual habitual. Nota-se em todas as fotografias oficiais que Brejnev nunca beija os líderes cubanos, apenas os abraça.

Mas o beijo mais famoso foi dado pelo Brejnev ao Erich Honecker, líder da RDA, em 1979 (as imagens em cima). Este ato icónico foi retratado no muro de Berlim por talentoso e jovem artista Dmitri Vrubel. O graffiti com o título Meu Deus, ajuda-me à sobreviver a este amor mortal, tornou-se o símbolo da queda do Muro de Berlim e do fim do comunismo na Europa.
Ler mais sobre este graffiti | imagem @Wikipédia
Alguns outros beijos públicos do Brejnev:
Beijo ao Alexander Dubček (o pai da Primavera de Praga)
Beijo ao Antonín Novotný (o líder estalinista da Checoslováquia)
Fotos: GettyImages | Alamy Stock Photo | RIAN | ČTK | Internet | Texto: i-fakt e Ucrânia em África

Bónus

[Os melhores beijos do Brejnev]:

sexta-feira, novembro 17, 2017

Cidade de Kyiv nas décadas de 1980-90 (27 fotos)

Apesar de Kyiv se modernizar bastante, alguns pontos da cidade não mudaram tanto: avenida Khreshatyk, Podil (baixa), etc. Nota-se claramente que hoje ucranianos vivem muito melhor, desde a quantidade de viaturas nas ruas até aparência das pessoas. Na URSS, realmente, os cidadãos vestiam-se horrorosamente e praticamente não se riam: odontologia soviética era péssima e os hábitos culturais censuravam o riso “sem razão”.

02. Em 1982, nas vésperas do 60º aniversário da criação da União Soviética, no fim da avenida Khreshatyk foi inaugurado o Arco da amizade dos povos. Foi construído durante 4 anos e deveria simbolizar a “unificação da Ucrânia com Rússia”. Debaixo do arco estava a figura dos dois proletários de mãos dados. Popularmente o monumento era conhecido como “jugo”.

03. Nas tardes, o arco recebia a iluminação em cores do arco-íris, que juntamente com a imagem dos dois homens de mãos dados criava o espaço para as brincadeiras e piadas.

04. 1983: a rua Uzviz, o atual centro principal de venda dos souvenirs.

05. A casa-museu do escritor Mikhail Bulgakov [nascido em Kyiv, o genial escritor russo odiava profundamente Ucrânia e ucranianos, possivelmente o sentimento foi agravado pelo uso de drogas (ópio) e influência da sua segunda esposa]. A própria construção é um típico edifício de apartamentos, do final do século XIX – início do século XX, com fachada de tijolos de relevo sem enchimento (geralmente em Kyiv, este tipo de casas se pintavam em 1-2 cores).

06. O mesmo local fotografado de outro ângulo. Podemos ver as meninas de saias semitransparentes, que, então, entravam na moda, verão de 1983.

07. Final de julho de 1983, a venda de salsichas na rua. A vendedora não tem sistema de refrigeração, mas se as salsichas eram boas, se vendiam momentaneamente.

08. Avenida Khreshatyk, foto tirada do lado do mercado Bessarabsky, em direção da atual Praça de Independência (Maydan), antes de 1977 a “praça Kalinin” e depois “praça de revolução de outubro”. Podemos ver o táxi soviético típico da época, Gaz-24, a viatura tinha um taxímetro e uma marca de quadradinhos de “xadrez” nas suas portas.

09. Maio de 1986, o desfile tristemente conhecido do dia 1 de maio, as ruas de Kyiv estavam contaminadas pela radiação vinda de Chornobyl, principalmente por alguns radioisótopos de curta duração e altamente ativos, como o iodo-131. No verão de 1986 em Kyiv se vendia vinho tinto seco avulso, se acreditava que este “remove a radiação do organismo” (na verdade, não remove absolutamente nada, a medida era puramente psicológica). As crianças foram obrigadas as marchar por ordens diretas vindas das estruturas do partido comunista da Ucrânia.

10. Em maio de 1986 em Kyiv também decorreram as provas internacionais de ciclismo, com a participação das delegações dos países socialistas, algumas das quais não vieram ou saíram mais cedo. Além disso, na cidade foi organizado um festival internacional juvenil, os seus participantes usavam este tipo de T-shirt “Kiev-abril'86”, “Eu sobrevivi o Chornobyl”.

11. Fim do verão de 1986, atual rua Prorizna (liga avenida Khreshatyk ao estação do metro “Zoloti Vorota”). A maior parte dos letreiros nas lojas está em ucraniano.

12. Setembro de 1986-го, os dosimetristas verificam as viaturas que voltam à cidade do lado da estação nuclear de Chornobyl – já funcionava a Zona de Exclusão de 30 quilómetros em redor da estação e estava em andamento a construção do primeiro sarcófago sobre o Quarto Bloco da Central nuclear de Chornobyl – concluído em novembro de 1986.

13. 1986: piscina num dos jardins-de-infância de Kyiv:

14. Outono de 1986, mercado Bessarabsky no centro de Kyiv. Vendem-se apenas as flores, possivelmente todos os outros produtos foram proibidos de vender devido às altas taxas de radiação.

15. O mais provável a estação central de caminhos-de-ferro de Kyiv. No canto superior esquerdo podemos ver o letreiro em russo “Máquinas de jogo”. Nos anos finais da existência da URSS estas máquinas eram bastante populares e os seus salões eram abertos em locais mais inusitados. Um jogo custava 15 copeque e os mais populares eram “Batalha noval” e “Franco-atirador”.

16. Janeiro de 1989, mercado Bessarabsky. Se vendem apenas as maças, de 2-3 tipos. Eram quase as únicas fritas disponíveis no mercado, as donas de casa as usavam para fazer as compotas e doces.

17. Em 1989 Kyiv foi visitado pelo Gorbachev, parece que Gorby sentia que fim da URSS está próxima.

18. 1990: clínica especial para os funcionários da estação nuclear de Chornobyl:

19. Início de inverno de 1990: o piquete em frente da Câmara municipal de Kyiv, na avenida Khreshatyk, as pessoas protestam contra Chornobyl e umas quaisquer instalações militares.

20. 1991: veterano da II G.M., rua Uzviz, no fundo podemos ver a igreja de São André.

21. 1991: mercado, vende-se praticamente apenas o chucrute, os vendedores oferecem aos fregueses um pouco para provar.

22. Mercado Bessarabsky, talho. Se vende a carne de criação privada, as lojas estatais já não tinham a carne nenhuma.

23. Legumes. Também, possivelmente, a produção privada:

24. Primavera-verão de 1991, os ucranianos exigem a adopção da bandeira histórica ucraniana azul e amarela como a bandeira oficial da Ucrânia.

25. O dia 24 de agosto de 1991, quando essa decisão foi tomada. Um homem segura a bandeira da Ucrânia soviética com um póster: na cabeça do Estaline o Brejnev dá o seu icónico “triplo beijo” ao Erich Honecker, além disso, naquela cabeça vivem outros líderes soviéticos.

26. Novembro de 1991, Ucrânia se prepara às primeiras eleições presidenciais, parlamentares e ao referendo que deveria confirmar a vontade popular de viver num país independente. Na foto as pessoas que apoiam Leonid Kravchuk, o futuro 1º presidente da Ucrânia independente.

27. Janeiro de 1991, o marinheiro militar jura solenemente defender Ucrânia independente. Os militares que não queriam jurar à Ucrânia independente receberam a oportunidade e permissão de se transferir para a Rússia.

28. 30 de janeiro de 1992, liberalização dos preços, a chegada da economia do mercado, o comunismo soviético morre definitivamente.
Foto @GettyImages | Texto @Maxim Mirovich e @[Ucrânia em África] 


Bónus

[Kyiv, 22 de maio de 1972: a visita do presidente americano Richard Nixon]: