domingo, maio 20, 2018

A secreta polaca ABW desmantela duas células subversivas russas

A agência de contra-inteligência polaca/polonesa ABW informou no dia 16 de maio que havia descoberto o plano para semear a discórdia entre Polónia e Ucrânia em forma de uma “guerra informativa (...) contra Polónia e nos interesses da Rússia”, escreve a Deutsche Welle.

Varsóvia pretende expulsar do país a cidadã russa Yekaterina C. e proibir aos outros quatro cidadãos russos de entrar no país durante 5 anos. Este grupo é suspeito de “atividades híbridas”, ou seja, as táticas subversivas não militares.

“O objetivo deles é desestabilizar a situação sócio-política no nosso país”, disse o porta-voz do ABW, Stanislaw Zaryn.

“Yekaterina C. [que entrou na Polónia em 2013, alegadamente para estudar] promoveu atividades destinadas a consolidar os grupos pró-russos na Polónia e alimentou a animosidade entre a Polónia e Ucrânia”, acrescentou Zaryn no comunicado à agência de notícias France-Presse, referindo-se à mulher que está aguardando a sua deportação.

Zaryn contou que os dois grupos descobertos usavam as estratégias de promoção e disseminação das interpretações de eventos históricos que incitariam ódio entre ucranianos e polacos/poloneses, ao contrário, criando as visões favoráveis em relação ao Moscovo.

Além disso, no dia 17 de maio, o serviço de guarda-fronteira da Polónia deteve uma outra cidadã, Anastasia Z., (com dupla cidadania russa e cipriota) que tentava entrar na Polónia, sendo anteriormente proibida de entrar no país:






Embora a Polónia tenha sido, nos últimos anos, um defensor fundamental das atitudes pró-ocidentais na Ucrânia, os dois vizinhos compartilham um passado difícil. Diversos polacos/poloneses e diversos ucranianos foram mortos por organizações nacionalistas de dois lados durante a II G. M., além da existência de herança de um longo e brutal período de colonialismo polaco/polonês exercido nos territórios étnicos ucranianos da atual Ucrânia e Polónia.

Os últimos dois anos viram essa aliança ser abalada por ressurgimento das opiniões divergentes sobre aquela história compartilhada e um aumento das políticas nacionalistas tanto em Varsóvia, quanto em Kyiv.

A Polónia é o mais recente país da NATO/OTAN a acusar o Kremlin de se engajar em “guerra híbrida” para minar os Estados membros sem provocar a retaliação militar. Várias nações ocidentais acusaram a Rússia de táticas semelhantes.

Stanislaw Zaryn também observou que a ABW tem informações de que “a Rússia não apenas instiga os cidadãos polacos/poloneses para realizar certas ações contra a Polónia que são do interesse da Rússia, mas também financia as suas atividades nessa área”.

Os cidadãos polacos que colaboraram com as células russas serão investigados pela contra-inteligência e pelo ministério público. A boa notícia, é que segundo Stanislaw Zaryn, os agentes russos tinham se apropriando de uma parte do dinheiro que eles recebiam da Rússia, informa o serviço ucraniano da BBC.

sábado, maio 19, 2018

Ucrânia começa produzir e comercializar o caviar de caracol (6 fotos)

O empresário ucraniano Fedir Szandor se tornou um dos pioneiros na produção e na comercialização de caviar de caracol, um produto “saboroso e acessível”, a cultura ecológica bastante  nova, introduzida na região ucraniana de Transcarpátia.
A farma/fazenda do Fedir Szandor se situa na aldeia de Nizhny Selyshche (existente no mínimo desde o ano de 1455), no distrito de Khust na Transcarpátia ucraniana.
Preço: 300 Euros
Os interessados em saborear este petisco original poderão contactar diretamente com o seu departamento de vendas: + 38 068 0913922 
A cooperativa local de queijo ecológico | foto @S. Smirnov | Wikipédia
É de notar na aldeia também se produz o queijo ecológico, fruto de um projeto social, iniciado pelos moradores locais, com apoio da Cooperativa Europeia Longo Maї. A cooperativa usa o leite, produzido pela população rural ucraniana, que vive perto do famoso Vale de Narcisos de Cárpatos. As vacas locais são alimentadas exclusivamente com a ração natural. Para produzir o queijo de qualidade, a sua quantidade é propositadamente limitada. O leite de cada fornecedor é monitorado diariamente. O queijo produzido em Nizhny Selyshche é um produto biologicamente puro.
Vale de Narcisos | foto @guide.karpaty
Além disso, a banda folclórica local, Hudaki Village Band, conhecida pelos seus arranjos tradicionais e coloridos de canções folclóricas, foi considerada em 2010 como a melhor banda folclórica europeia:

KGB e inviolabilidade do sigilo de correspondência na União Soviética

Em outubro de 1970, o KGB da Ucrânia soviética informa o Comité Central do PC da Ucrânia sobre o aparecimento, nos correios da república, de postais “propagandistas” israelitas, enviados de Israel aos “cidadãos de nacionalidade judaica”, residentes na Ucrânia.
Informe do KGB ao CC do PC da Ucrânia soviética, datado de 26/10/1970.
Já no dia seguinte, em 27/10/1970, o documento foi recebido no II setor do Departamento geral do partido.
No documento, assinado pelo vice-chefe do KGB ucraniano, S. Krikun, se informa a liderança do partido que além de postais de caráter religioso, há outros de “caráter militarista que exortam o poderio militar do exército israelita”. Outros postais ainda, “contêm os slogans sionistas, exortando os judeus de todo o mundo se unir debaixo da bandeira sionista”.
O informe é acompanhado de 18 postais originais que simplesmente foram retirados do correio e nunca mais chegaram aos seus destinatários. 48 anos (Sic!) depois, estes ainda se encontram nos arquivos da secreta ucraniana SBU. Os arquivos, que graças à nova postura europeia da Ucrânia, podem ser consultados pelos historiadores, pesquisadores e jornalistas (fonte).
Ler mais: O KGB da Ucrânia em 1970

A comédia del arte ucraniana “Donbass” é premiada em Cannes

No festival de cinema de Cannes, na categoria do melhor realizador no programa “Un Certain Regard”, foi premiada a obra do realizador ucraniano Sergei Loznitsa, uma co-produção da Alemanha, Ucrânia, Holanda, França e Roménia, que através de uso da linguagem cinematográfica mostra o absurdo da vida quotidiana das ditas “repúblicas populares” no leste da Ucrânia ocupada.
"Donbass" na base de dados IMDB
A Donbas atual, as suas organizações terroristas “lnr” e “dnr” são perfeitos símbolos da vida numa “zona cinzenta”: do ponto de vista legal, cultural, económico, a vida no espaço entre a fantasia e realidade, horror e sonho. A realidade sem marcas claras de identificação, como a presença dos chamados “homens verdes”, os terroristas russos, que se apresentavam como “excursionistas”, embora para muitos deles a “excursão” ucraniana se tornou a final e fatal.

As filmagens decorreram no leste da Ucrânia, na cidade de Kriviy Rih, onde entre vários atores, profissionais e não, um dos papéis principais cabe aos comediantes do teatro de pantomima de Odessa, Maski Show: Natália Buzko e Georgy Deliev.
Os primeiros à aparecerem na tela são os figurinos de um estranho grupo de filmagens – como o espetador perceberá rapidamente – são “testemunhas” de uma reportagem de “notícias” fake news da propaganda russa. Uma mulher gasta, com hematomas pintadas debaixo de olhos, conta “o que presenciou”, mas aí logo surge a questão inquietante, os corpos no chão e um troleicarro danificado pela explosão, como pano de fundo na imagem são reais ou não? O final do filme, assustador e absolutamente surreal, filmado de uma forma neutra e documental, responderá à essa questão perturbadora.
Os russo-terroristas e POW ucranianos
Atores e falsários estão por toda a parte. Até o “guarda-fronteira” separatista tem o nom de guerre “Artista”. Num outro episódio, um jornalista alemão fala com os terroristas, sentados por cima de um blindado, que não querem responder uma simples pergunta: “Quem é o vosso chefe?” Como no jogo infantil, os terroristas apontam uns aos outros e então no fim apresentam ao jornalista estupefacto uma personagem colorida, um tal de “atamane cossaco” Chapai.
A maioria dos personagens do filme nem sequer possui um nome cristão, apenas os noms de guerre: Batianya (Paisão), Gyurza, Cupon (Cupão), Drovosek (Lenhador). Numa outro cena burlesca se casam separatistas com os nomes incrivelmente coloridos que parece que saíram das páginas do Nicolas Gogol: Angela Tikhonovna Kuperdyagina e Ivan Pavlovich Yaichnitsa (literalmente Ovos Mexidos). Ninguém deverá ficar surpreso se estes nomes se revelem reais.

A película é composta por uma série de cenas aterrorizantes, grotescas e hiper-realistas, sem uma conexão formal, embora correlacionadas pelo tempo e espaço. Um bandido com look dos anos 1990 organiza o show numa maternidade pobre, onde o médico chefe rouba comida e remédios. Os “guarda-fronteira” separatistas humilham os civis que venham à Donbas para visitar os seus familiares e verificar se suas casas ainda estão de pá. Os separatistas roubam, usando a coerção, a viatura de um empresário pouco simpático e ainda lhe exigem o resgate. O soldado ucraniano, barbudo e calado, capturado pelos terroristas, é levado pela cidade com letreiro “Voluntário do batalhão punitivo” e depois amarrado a um poste de energia, para que a populaça pudesse satisfazer os seus desejos mais primitivos.
Cena do filme: a populaça tenta humilhar um militar, POW ucraniano
Arte segue a realidade, a populaça separatista à humilhar a patriota ucraniana Iryna Dovhan 
No entanto, “Donbass” é nitidamente um filme antiguerra que não justifica a violência vinda de qualquer dos lados. A película mostra como a guerra danifica as pessoas, os transformando em monstros, cómicos e horríveis ao mesmo tempo.

Existe no filme um episódio tocante quando a câmara, circula de forma incessante pelos corredores labirínticos de uma pensão destruída pela guerra, onde vivem as pessoas desabrigadas. Não vamos perceber quem fez as filmagens, realizador ou alguma personagem sua, certamente movida pelos objetivos menos nobres. Pois, além de guerra moderna, “Donbass” é dedicado às mídia, redes sociais e outros intermediários que transformam a guerra em um show. A película mostra aquilo que não deveria se transformar em “apenas o cinema”.

O documentário anterior do realizador, “Dia da Vitória”, foi filmado em Parque Treptow em Berlim em 2017 e é dedicado ao atual feriado russo de mesmo nome. O novo trabalho de Loznitsa é marcado pela retórica e estética da moderna propaganda patrioteira russa (que pode ser resumida ao meme “os avós combateram”). Mas também mostra a distância intransponível entre a guerra em defesa da pátria e a sua versão “híbrida”, claramente absurda e igualmente cruel para todos os seus participantes.
A pergunta principal e calada de "Donbass" é essa: “numa guerra como essa, no seu final, porque um dia este sempre chegará, existirá o dia da vitória? Ou qualquer resultado será uma derrota?”
Primeiras duas fotos: filme documental “Dia da Vitória”, Parque Treptow, Berlim, 9/05/2017
Segundas duas fotos: marcha dedicada ao Dia da Vitória, Lisboa, 6/05/2018
A estreia mundial de “Donbass” decorreu em Cannes no dia 9 de maio, a sua exibição nos cinemas da Ucrânia está prevista ainda em 2018.

Bónus

Extrato do discurso do Sergei Loznitsa no discurso de premiação do seu filme, no fecho do festival de Cannes (publicado no Facebook do produtor ucraniano de “Donbass”, Dennis Ivanov):
Sergei Loznitsa
[...] Quero agradecer – mais uma vez – o meu Festival favorito – o Festival de Cannes – pela oportunidade de apresentar “DONBASS” ao mundo e fazer perguntas que me atormentam. Nos últimos dias, percebi, conversando com jornalistas e cineastas, o quão pouco eles sabem sobre a guerra que está acontecendo no coração da Europa exatamente agora.

[...] Enquanto decorre esta cerimónia, no extremo norte da Rússia, na colónia de regime severo, um jovem artista ucraniano, nosso companheiro diretor de cinema, continua a sua greve de fome. Ele próprio, acusado de crimes que nunca cometeu e injustamente condenado aos 20 anos de cadeia, exige às autoridades russas libertação imediata de todos os presos políticos ucranianos, encarcerados na Rússia.
Com muita dor e com grande admiração, declaro minha solidariedade com Oleg Sentsov, com todos os realizadores em diferentes partes do mundo, lutando pela liberdade, pela honra e, finalmente, pela humanidade. Não importa o quanto os regimes cruéis e despóticos nos persigam, calem a boca e nos obriguem a obedecer às regras deles, a arte do cinema permanecerá livre.

As melhores anedotas sobre a União Soviética

Na URSS sempre foram populares as anedotas que gozavam com a vida soviética. As histórias falavam da escassez de bens e alimentos, da falta de serviços de qualidade e das questões políticas. Durante muito tempo uma anedota política narrada às pessoas erradas e no lugar errado podia significar cadeia e GULAG, durante a Perestroika as anedotas foram livremente publicadas na imprensa estatal.

Uma das melhores piadas sobre a vida na URSS é, sem dúvida, a piada contada pelo presidente americano Ronald Reagan – que era uma pessoa alegre, amava e colecionava piadas, inclusive sobre a União Soviética. Essa piada foi contada por presidente Reagan durante uma das suas intervenções na Virgínia em 1988, eis a sua versão completa:
“As pessoas na União Soviética — eu já contei, que eles têm um grande senso de humor, mas além disso — eles são bastante críticos ao sistema existente. Eu já contei essa, Bill, você terá que ouvi-la novamente — eu tinha a contado no carro. Não contei ao Gorbachev.

Sabem, na União Soviética existe uma fila [para comprar] carro, 10 anos. Apenas uma família em cada 7 possui a viatura na URSS. Tem que esperar 10 anos — este é um procedimento inteiro, você está se preparando para comprar um carro, e você precisa depositar o dinheiro antecipadamente. E um camarada... Essas piadas que contam uns aos outros — esse cara bancou o dinheiro, e aquele que estava tratar as questões lhe disse – excelente, vêm em 10 anos para buscar o seu carro. E o primeiro perguntou: “De manhã ou à tarde?” (risos do público). E a pessoa atrás do balcão pergunta — “mas que diferença faz, é daqui à 10 anos!” — “Bem, apenas de manhã deve aparecer o canalizador”.

Efetivamente, é uma anedota brutalmente boa ;-)

Uma anedota soviética intelectual

Inverno. A União Soviética. Década de 1930. Fome. Frio –30ºC. Um menino pobre e mal vestido corre, agarrando um molho de galhos para o fogareiro, perseguido por um varredor/zelador de gorro de pele e uma jaqueta acolchoada.

O menino corre e reflete: “Não, bem, isso é absolutamente impossível. Eu venho de uma boa família, eu quero aprender, me desenvolver. Quero, realmente, ser como o meu escritor favorito Ernest Hemingway – ser valente, forte... Pescar nas praias de Cuba. E não fugir dos varredores/zeladores desta cidade”.

Cuba. Calor. Ernest Hemingway, realmente valente e forte, fica na praia e bebe o rum de gargalo da garrafa, cercado pelas cubanas calientes. Hemingway pensa: “Não, isso não é a vida. Não há nenhum heroísmo aqui. As pessoas não precisam de nada, 24 horas por dia é o calor, o cérebro se derrete, as mulheres são gordas. Se eu pudesse, estaria agora em Paris fresquinho, com o meu amigo André Maurois – teríamos bebido um bom vinho francês, acendíamos a lareira e conversaríamos a noite dentro sobre as coisas eternas”.

Paris. É fresco, está chovendo há uma semana. André Maurois está no seu sótão, bebe a terceira garrafa de conhaque, duas cortesãs dormem na sua cama. Maurois se amaldiçoa e diz: “Não, isso definitivamente não é a vida. É uma decadência qualquer. Simulacro. Quem me daria estar agora em Voronezh frio, eu iria encontrar o meu amigo, o grande escritor Andrei Platonov, tomaríamos um quadruplo de verdadeira vodca russa, e imediatamente estaríamos mais perto da eternidade ... Essa é que a vida”.

Voronezh. Inverno. Frio. Fome. Andrei Platonov, de gorro e jaqueta acolchoada, corre atrás de um menino num dos pátios de Voronezh e pensa: “F0da-se! Se eu apanhar o fedelho, eu o mato, com c@ralho!!!!”.

E você, o nosso querido leitor, que tipo de anedotas conhece sobre a URSS? Qual delas é a melhor?

sexta-feira, maio 18, 2018

Síria: oito grandes explosões atingem a base aérea de Hama

A base aérea síria de Hama foi atingida por oito explosões de larga escala. A base abriga aviação síria e os proxies iranianos (neste momento se fala em 80 mortos e mais de 100 feridos). A partir da base são realizados voos para o bombardeio de alvos civis e militantes em Idlib e no norte de Hama.
Quem exatamente foi o responsável, é difícil de dizer por agora. Podem ser desde mísseis ou comandos israelitas (e mesmo forças especiais turcos), colocando os explosivos nos armazéns de munições e de combustível, situados na base. Após os primeiros quatro, vieram mais quatro explosões, a 5ª foi a mais potente, explodindo os depósitos de munições e de combustível. Já se fala sobre 80 mortos e mais de 100 feridos. Dado que no perímetro do aeroporto existia, pelo menos um, posto de controlo militar russo, não é de excluir a morte dos militares russos. Possivelmente, as explosões vão destruir o aeroporto por completo. O que é uma coisa quase certa, se foram turcos ou israelitas, não vão admitir o seu papel, afirmando que é uma obra dos combatentes locais... 
A situação é esperada. A aviação síria e russa bombardeia as zonas de ocupação turca, causando ao Erdogan uma irritação bastante legítima. Os turcos já estão prontos para derrubar aviões, mas até agora, aparentemente, decidiram se limitar à base aérea – o que, na essência, da na mesma. Provavelmente, os turcos conduziram uma operação especial sob o disfarce de militantes por suas forças especiais. Esta é uma sugestão bastante óbvia para os colegas russos de que o próximo pode se tornar Hmeimim, escreve o blogueiro militarista russo el-murid.

Ucrânia realiza teste bem-sucedido do míssil anti-tanque “Skif”

O Bureão de Design “Luch” (Kyiv), testou com sucesso o modelo de exportação dos seus mísseis guiados anti-tanque “Skif” (fabricados para uso das Forças Armadas da Ucrânia sob o nome de Stugna), escreve Defence-blog.com.
De acordo com o serviço de imprensa da empresa, nos meados do mês de maio foi realizado um teste final bem sucedido do sistema de mísseis guiados portáteis anti-tanque “Skif”, desenvolvidos para um cliente estrangeiro.


O design do sistema de mísseis “Skif” foi submetido às várias alterações de acordo com os requisitos do cliente. Todas as modificações foram destinadas a adaptar o sistema de lançamento ao uso em solos moles e na areia. Nomeadamente, o sistema recebeu um poderoso termovisor, permitindo atingir os alvos ao primeiro tiro, mesmo em condições climáticas adversas, de dia ou de noite.
O próprio míssil não foi modificado, projetado, de antemão, para uso em todas as condições climáticas sem exceção.
A variante “deserto” do sistema de mísseis anti-tanque “Skif” destina-se a destruir alvos blindados estacionários e em movimento, protegidos com a blindagem combinada, composta ou monolítica, incluindo a armadura reativa explosiva (ERA), bem como permite atingir alvos móveis, como plataformas de armas, blindados leves e helicópteros.
Uma das características do sistema ucraniano é a possibilidade de atingir os alvos à partir de posições fechadas e abrigos o que reduzam o risco do operador do sistema ser atingido pelo fogo inimigo.

Dados técnicos:
Calibre: 152 mm
Penetração na armadura: até 1100 mm
Peso do sistema: 100 kg
Alcance: até 5.500 m

Nos testes do sistema de mísseis guiados “Skif”, estavam presentes os seus criadores do Bureão “Luch”, os representantes do cliente e das FAU.

Donbas: liquidação do terrorista russo-osseta Oleg Mamiev do “batalhão Pyatnashka”

No dia 17 de maio na região de Donetsk as forças ucranianas liquidaram em combate o líder terrorista russo-osseta Oleg Mamiev, nom de guerre “Mamay”, que desde novembro de 2016 comandava o bando ilegal armado “batalhão Pyatnashka”.
A TV russa Rossija-1 mostra os momentos de liquidação do líder terrorista
O local exacto onde foi liquidado Mamiev, faça click para ver a foto original
Nos combates na área de Promka (zona industrial de Avdiivka) o terrorista recebeu múltiplos ferimentos na cabeça, barriga e tórax, atingido pelos estilhaços da granada VOG-15 (usada nos lança-granadas incorporados nas espingardas automáticas do tipo AK). O terrorista foi retirado do campo de batalha, mas morreu, a sua morte já foi confirmada pelas diversas páginas russo-terroristas.
A morte do terrorista russo-osseta também foi conformada pelo propagandista russo-terrorista Zakhar Prilepin na sua página do Facebook. Sabe-se que Mamiev (12.12.1977) participava nas atividades terroristas no leste da Ucrânia desde 2014 e desde novembro de 2016 assumiu o comando do bando ilegal armado “Pyatnashka”, composto pelos terroristas oriundos do Cáucaso, nomeadamente ossetas. 
Sabe-se que na vida civil Oleg Mamiev era dono de uma empresa de segurança e possivelmente de agência de cobranças coercivas. Em 2008 o terrorista participou na guerra contra a Geórgia. O seu irmão mais novo, Alan Mamiev (22.08.1978), propagandista anti-ucraniano, nom de guerre “Abkhaz” e “Koba”, em 2013 era procurado pela Interpol, sob acusação de banditismo (brigantaggio).

Pelo bando ilegal armado “Pyatnashka” tinha passado um dos terroristas brasileiros pertencentes ao grupo do Rafael Lusvarghi – Diego Marczuk “Félix” que avalia a sua experiência de dois meses no bando de uma forma bastante negativa (postagem na rede Facebook de 29/10/2015, entretanto já apagada): Devia no minimo nao citar esse “Pyatnashka” nessa pagina, depois desse batalhao fuder com os brasileiros que la passaram, batalhao corrupto em todos os niveis (porem tem muitas pessoas de bem). Os comandantes de la pouco se importam com a vida dos voluntarios, cansei de ver gente morrer por causa de desorganizaçao e falta de equipamento (preservados a ortografia e pontuação originais).
Ler mais sobre o terrorista

Diego Marczuk também conta que no bando “Pyatnashka” ele era vítima de constantes humilhações, como brasileiro e como estrangeiro. Por exemplo, uma vez os outros terroristas roubaram os seus pertences pessoais, situação normal e até quotidiana entre eles: «os membros desejam a morte dos seus colegas para ficar com as suas coisas pessoais».

O sistema de racionamento soviético: compras com “cartões” e “talões”

"Meias NÃO HÁ" | "Calçado NÃO HÁ"
O sistema de racionamento soviético nasceu antes do próprio surgimento do “primeiro estado dos operários e camponeses”. Herdados diretamente do “czarismo marvado”, os “cartões”, “talões”, “cupões” e outros meios de distribuição e controlo, sobreviveram a queda da União Soviética e em algumas regiões russas foram usados até 1993.  

Do czarismo à revolução proletária

Os primeiros cartões de racionamento alimentar surgiram na Rússia czarista na primavera de 1916. Império russo, quebrado economicamente e psicologicamente com os resultados da I G.M. entrou numa crise alimentar e introduziu os talões para a compra de açúcar. [Os cartões eram distribuídos aos cidadãos de forma gratuita, no caso de perda não eram restituídos e deveriam ser entregues ao lojista no ato de compra. Quem tivesse apenas o dinheiro, não podia comprar o produto.] Principalmente devido ao facto de que as fábricas açucareiras da Polónia e Ucrânia Ocidental [nas regiões que faziam parte do império russo] se tornaram o palco de batalhas contra exércitos da Alemanha e do Império Austro-Húngaro.
Petrogrado, cartão para a compra de de açúcar, 3 libras por pessoa (3 copos ou cerca de 550 gr),
outubro, novembro, dezembro de 1916
Após o golpe bolchevique de 1917, a Rússia adotou as políticas do “comunismo de guerra” e sistema de cartões foi usado de uma forma maciça, em algumas regiões até o pão era vendido apenas aos portadores dos cartões de racionamento. Situação só mudou em 1921, com a introdução do NEP (Nova Política Económica) que aboliu o racionamento e encheu as lojas de produtos alimentares e manufatureiros. A chegada ao poder do Estaline acabou com experiência “proto-capitalista” e sistema de cartões foi novamente imposto, a União Soviética simplesmente não produzia a quantidade suficiente de mercadorias para saciar a procura da sua própria população.

Além do sistema de cartões, o estalinismo introduziu as “normas” de venda de produtos por cada comprador — desde abril de 1940 um comprador tinha direito de comprar não mais que 1 kg de carne e não mais que 0,5 kg de mortadela em cada compra. Para recordar, em 1940 já tinham passado 23 anos desde o golpe bolchevique, mas o país não conseguia viver de forma plena e feliz.
No decorrer da II G.M. o sistema de racionamento apenas se tornou mais severo e mais desumano. O cidadão que perdesse os seus talões, ou à quem estes fossem roubados, estava condenado à uma morte de fome, situação várias vezes descrita na literatura soviética.

A vida sem cartões, época de fartazana soviética

Em 1947 o sistema de cartões foi abolido, mas, de uma ou de outra forma, os elementos de racionamento do consumo alimentar ou manufatureiro persistiam por décadas. Por exemplo, o cidadão soviético não poderia simplesmente ir à loja e comprar o automóvel. Primeiro, teria que ficar numa “fila” [que poderia durar 5-7 anos (sim, anos!)], segundo, deveria pagar um valor bastante alto [por exemplo, a viatura Gaz-21 “Volga” custava 10.000 rublos ou 16,949 dólares ao câmbio oficial da época] e terceiro, teria que receber uma espécie de permissão de compra, emitida pelos órgãos locais do poder soviético, documento existente pelo menos até a década de 1960.
No início da década “brejnevista” de 1970, o sistema de racionamento não existia. A década se caraterizou pela alta de preços de petróleo e URSS recebeu uma “almofada de divisas”, que usava para comprar os produtos manufatureiros ocidentais e estrangeiros:  jeans FUZZ, sapatos Salamander e cassetes BASF da Alemanha Federal, mobílias da Roménia, chouriço fino da Finlândia, café brasileiro e outra mercadoria, comprada graças ao “petrodólares”.

Realmente, era a época dourada soviética — altos preços de petróleo permitiram ao URSS saciar a alta procura do consumo doméstico.

No entanto, a liderança soviética cometeu o erro fatal, os excedentes da venda de petróleo não foram usados para desenvolver e fortalecer a economia nacional. Em vez de modernizar as fábricas de açúcar na Ucrânia ou instalar as linhas de transformação de batata em Belarus, URSS comprava o açúcar em Cuba, financiando deste modo os “regimes amigos”. Com a queda dos preços de petróleo e aumento dos gastos militares na guerra de Afeganistão ou em África, a economia soviética começou se aproximar ao seu colapso.

Retorno de talões «ao pedido dos trabalhadores»
No fim da década de 1970, os talões de racionamento voltaram, não em toda a União Soviética, mas em várias regiões, principalmente da federação socialista russa. A compra de carne, manteiga e açúcar só poderia ser feita pelos portadores dos talões. Depois, as coisas apenas pioraram, o racionamento foi alargado aos novos grupos de bens e alimentos.  
"Alimentação é efetuada APENAS com os talões de fábrica"
Nem todos os talões eram chamados de “talões”. O poder local optava pelos nomes mais simpáticos, como “Cartão de comprador”; “Reserva” ou mesmo “Convite para a compra”. Naturalmente estávamos perante a hipocrisia soviética — ninguém fazia “pedidos”, ninguém reservava nada às suas compras, nem pedia “cartões” — assim era camuflada a existência do sistema de distribuição dos bens da primeira necessidade.
"Apresente o documento" (com direito de fazer compras no local)
Na década de 1980, o racionamento geralmente abrangia carne e boa manteiga, a margarina barata e de má qualidade sempre estava em venda livre. Depois, a lista engrossou com açúcar (tornou-se um grande défice por causa de aumento brutal de produção de aguardente caseiro) e praticamente todo o tipo de álcool — um cidadão adulto recebia o talão que lhe permitia comprar 1 garrafa de vodca e 2 de vinho por mês (Sic!). 
O povo soviético na fila para comprar vodca e/ou vinho
Naquela época, todos compravam álcool, mesmo os que não bebiam, dado que uma garrafa de vodca que custava na loja 3,5 rublos (5,9 dólares), facilmente era vendida por 15-25 rublos (25,4 – 42,3 dólares ao câmbio oficial). Além disso, álcool se tornou, em quase toda a URSS, uma moeda universal aceite como meio de pagamento por quase qualquer tipo de serviço formal ou informal.

Década de 1990

Os problemas da economia planificada apenas pioravam — a “gestão manual” não funcionava, não havia mercadoria suficiente para todos, o mercado negro e as fábricas clandestinas floresciam por toda a parte. O pico da “distribuição por talões” calhou no início dos anos 1990 – quando, a URSS morreu de facto, antes do seu desaparecimento de jure. Em seguida, os talões foram mantidos, em várias regiões da Rússia ou Belarus por cerca de dois anos – a economia precisou este tempo para se mover aos trilhos do mercado (por exemplo, em Belarus continuavam à circular o rublo soviético). Este período os fãs da URSS geralmente chamam de “época de máfias e de surgimento de oligarquia”. No entanto, como fica claro neste artigo – o sistema de racionamento russo nasceu ainda antes do golpe bolchevique de 1917.
Imagem com as legendas em cima e original em baixo 
Cerca de 1993 na maior parte do espaço pós-soviético começou funcionar a economia do mercado, mesmo que imperfeito e surgiu a concorrência — os talões e cupões desapareceram. Como acontece sempre e em toda a parte, onde o Estado não interfere nos processos económicos – de alguma forma tudo é ajustado, por, a tal odiada pela esquerda “mão invisível do mercado”. Provavelmente, simplesmente porque as pessoas não são tão maus/ruins e impotentes quanto os comunistas imaginam que os cidadãos sejam :-)

Recentemente, várias páginas da Internet russa noticiaram que em 2019 Rússia poderá reintroduzir o sistema de cartões para os pobres – em vez de uma pensão ou salário decente e digno, as pessoas receberão cartões que poderão usar para a compra de alimentos (possivelmente subsidiados). Embora no valor de apenas cerca de 10.000 rublos (160 dólares) ao ano. O sistema de racionamento próximo ao existente na URSS; possivelmente os sonhadores com “URSS 2.0” ficarão felizes – irão às lojas, munidos de cartões e cupões para comprar açúcar e vodca :-)

Fotos: Internet | Texto Maxim Mirovich e [Ucrânia em África]